ROSAS DO RECANTO ETERNO - 228
Se as rosas florescessem
No divã do meu jardim,
De ternura não morressem
Vivendo perto de mim,
Gerando um olor sem fim
No orquidário do acalanto,
Sem jamais haver um pranto
No legado desse exemplo,
Valorizando meu templo
No esplendor desse recanto.
Se as rosas mantivessem
Para sempre o seu frescor,
Junto a mim não padecessem
Na roupagem, no sabor,
No detalhe, em cada cor,
Espargindo-se em beleza,
Promovendo a natureza
Com a mais sutil moral,
Junto à luz exponencial
No jardim da gentileza.
Se as rosas me falassem
Com perfume e emoção,
Talvez me aconselhassem
Com ternura e devoção.
Na mais pura sensação,
Seriam versos cantados
Por ventos enamorados
Que dançam sobre o canteiro
Num silêncio verdadeiro
De afetos eternizados.
Se as rosas me envolvessem
Com seu toque de calor,
Meus dias se acendessem
Com lampejos de amor.
Seria um doce esplendor
De cada pétala em festa,
Onde a alma manifesta
Seu desejo mais profundo
De tornar melhor o mundo,
Exaltando o que nos resta!
Se as rosas renascessem
Nos caminhos do porvir,
Talvez nos ensinassem
A razão de prosseguir.
Com seu jeito de sorrir
Na linguagem do perfume,
Seriam doce costume
De quem planta o bem profundo,
Colorindo todo o mundo
Com o brilho que resume.
Se as rosas persistissem
Mesmo após o temporal,
E jamais se despedissem
Do seu ciclo natural,
Seriam sinal vital
De que o amor não se cansa,
E a vida sempre alcança
Seu sentido mais sagrado,
Num jardim iluminado
Pelas luzes da esperança.
Escute a poesia musicada, clicando no link abaixo
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Josias Moreira de Alcantara
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