REENCONTRO DO FADO - 288
O mais cruel dos adeuses é aquele que nunca foi dito.
Nos olhos houve ternura,
Na alma, o toque perdido,
Mas o tempo, por bravura,
Recuou o consentido.
O casal fica aturdido
sem saber o que falar,
Ela pronta a se entregar,
Ele preso a algum receio,
E o amor ficou alheio
sem conseguir avançar.
Ela esperou no portão
Com esperança incontida,
Ele andando em contramão
abrindo novas feridas.
em páginas esquecidas
Do livro que não abriu,
O abraço que não sentiu,
junto a ausência traiçoeira
tal qual fosse a ratoeira
Que se prende em torpe ardil.
Hoje vivem separados
Pela névoa da lembrança,
Carregando os resultados
De uma falha na esperança.
Vez ou outra, a alma dança
Num salão imaginário,
Recordando o necessário
Que jamais chegou a ser…
O que dói não é o perder,
É o “nunca” involuntário.
E no fim desta jornada,
Nem o tempo há de curar
Uma dor desconcertada
De quem viveu a esperar.
Se o amor soube chorar,
Também soube se calar
Na ausência de um olhar
Que faltou só por um dia…
Terrível foi a agonia
De jamais se reencontrar.
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Josias Moreira de Alcantara
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