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REENCONTRO DO FADO - 288

21 de out.
1 min de leitura

 

O mais cruel dos adeuses é aquele que nunca foi dito.


Nos olhos houve ternura,

Na alma, o toque perdido,

Mas o tempo, por bravura,

Recuou o consentido.

O casal fica aturdido

sem saber o que falar,

Ela pronta a se entregar,

Ele preso a algum receio,

E o amor ficou alheio

sem conseguir avançar.


Ela esperou no portão

Com esperança incontida,

Ele andando em contramão

abrindo novas feridas.

em páginas esquecidas

Do livro que não abriu,

O abraço que não sentiu,

junto a ausência traiçoeira

tal qual fosse a ratoeira

Que se prende em torpe ardil.


Hoje vivem separados

Pela névoa da lembrança,

Carregando os resultados

De uma falha na esperança.

Vez ou outra, a alma dança

Num salão imaginário,

Recordando o necessário

Que jamais chegou a ser…

O que dói não é o perder,

É o “nunca” involuntário.


E no fim desta jornada,

Nem o tempo há de curar

Uma dor desconcertada

De quem viveu a esperar.

Se o amor soube chorar,

Também soube se calar

Na ausência de um olhar

Que faltou só por um dia…

Terrível foi a agonia

De jamais se reencontrar.


Escute a poesia musicada, clicando no link abaixo

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Josias Moreira de Alcantara

 
 
 

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