QUE SAUDADE DO ABRAÇO - 258
Abraçar-te eu quero agora,
Para sentir-me abraçado,
Sem sofrimento ou demora,
Como faz o namorado
Que se sente abandonado
Do abraço, por ser capaz
De integrar o amor em paz
E adornar, dentro da alma,
O regozijo da calma
No abraço que se compraz.
No abraço nasce a vida,
Cura a dor e acende a paz;
É chama sempre sentida,
Que falta quando não há.
Abraçar-te, quem me dera,
Fosse um toque abundante,
Transcendendo a nova esfera
De um contato doce e amante,
De corpo e alma, constante,
Junto às delícias do fado
Que me fez enamorado
Do querer-te com prazer,
Sem medo de me perder
Neste abraço versejado.
Quando o abraço me chama,
Tudo em mim quer renascer;
É fogo que nunca apaga,
É força de pertencer.
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Josias Moreira de Alcantara
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