PICANHA E JIRIMUM - 188
Você gosta de picanha? Gosto, mas não tem, amor. Só salsicha não me assanha, Com jerimum vai sem sabor. Você gosta de riqueza, Mas é pobre de dar medo, Come toda a sobremesa Sem fazer nenhum segredo. Gosto sim de coisas boas, Como feijão, arroz e ovo, Mingau de aveia e broas, Misturado junto ao povo. A picanha foi promessa, O jerimum nós comemos, Tutano de osso à beça, Hoje é tudo o que nós temos. Ô meu bem, não faça drama, Que a vida é feita de humor, Tem dia carne na chama, Tem dia abóbora e amor. Se a panela anda vazia, A esperança faz favor, Quem tempera a rebeldia Nunca passa sem amor. A picanha é para o rico, Compraram tudo, foi absurdo, E nós pagando o mico, Viramos tema de estudo. Mas o pobre é resistente, Ri da falta e da aflição, Faz banquete simplesmente Com farinha e coração. Você fala da picanha, Eu da conta do aluguel, Enquanto a vida nos apanha, Vamos adoçando o fel. Ô meu bem, não faça drama, Que a vida é feita de humor, Tem dia carne na chama, Tem dia abóbora e amor. Se a panela anda vazia, A esperança faz favor, Quem tempera a rebeldia Nunca passa sem amor. Se um dia a sorte melhora E o dinheiro aparecer, Faço picanha sem demora Só pra te agradecer. Mas enquanto ela não chega, Sem riqueza e sem doutor, Vai jerimum, vai manteiga, E um (tantão) do nosso amor. Escute a poesia musicada, clicando no link abaixo https://www.mureka.ai/song-detail/N2hJeQgn6cCj2dXSu2Ta3G?is_from_share=1 Dê joinha, comente, compartilhe com seus amigos Josias Moreira de Alcantara
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