ENTRE PÁTRIA E O DESTINO -330
Vou pegar a minha mala,
E sumir deste Brasil,
Pois senti passar a bala
Num cenário tão hostil.
Esse golpe tão sutil
Me causou repulsa infinda;
Pôs em risco a minha vida,
Fez-me abandonar a trama
De um país que afunda em lama
Com podridão que não finda.
Levo a dor no meu caminho,
Mas não deixo de lutar;
Mesmo quando estou sozinho,
Sigo firme sem parar.
Vou pegar minha cela,
Meu cavalo troteador,
Cavalgar atrás da estrela
Que conduz ao meu amor.
Vou deixar pra trás a dor
Desta pátria tão ferida,
Que hoje segue oprimida
Por um mando que é injusto,
Cego, frio, sempre astuto,
Fechando os olhos da vida.
Se a esperança ainda chama,
Vou ouvir seu resplendor;
Mesmo em meio à densa lama,
Há sementes de valor.
Vou pegar minha bandeira
E hastear noutro destino;
Minha verve é verdadeira
Como a fé do meu menino.
Recordar o velho hino
No pátio da escola, o canto
Que servia de acalanto
E elevava o coração,
Celebrando a tradição
De um povo digno de encanto.
Se o destino é incerto agora,
Não me deixo sucumbir;
Quem resiste, como agora;
Sempre aprende a prosseguir.
Escute a poesia musicada, clicando no link abaixo:
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Josias Moreira de Alcantara
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