ELIXIR DA ESPERANÇA - 315
Fruto da terra e do tempo, cura que canta em silêncio.
Cozinhei por treze instantes
O que a vida me ensinou:
Beterraba em tons vibrantes,
Cebola roxa que chorou,
Alho forte que lutou,
Maçã doce, gengibre ardente,
Tanchagem tão persistente,
Pháfia em sua nobre essência,
Canela e cravo — presença
De um sabor surpreendente.
Deixei a poção repousar
Por duas horas em paz,
Como quem quer meditar
O que o corpo ainda refaz.
Depois, com toque eficaz,
Acrescentei mel e limão,
Três colheres de paixão
E dois sóis em forma cítrica.
Mistura quase mística
Pra curar meu coração.
Não foi só fitoterapia,
Foi saber do meu viver,
Foi a dor que me dizia
Que eu tinha que renascer.
Sem receita pra entender,
Fiz do instinto meu caminho,
Cada folha, cada espinho
Virou verso e solução.
Na raiz da criação
Floresceu meu pergaminho.
Hoje canto essa receita
Como quem planta esperança,
Cada dose é tão perfeita
Que devolve a confiança.
É saber que a mudança
Vem da terra e do cuidado,
Do saber bem cultivado
Com respeito e com amor.
Sou do tempo trovador,
E da cura, o resultado.
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Josias Moreira de Alcantara
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